
Neuber Fischer
Os temas ligados a espiritualidade e ao mundo sobrenatural, nunca estiveram tão em alta na produção audiovisual brasileira como nos últimos tempos, são novelas, seriados e filmes, todos baseados em histórias espíritas. Os mais recentes e que têm tido grande repercussão junto ao público são os longas “Chico Xavier” e “Nosso Lar”, a novela “Escrito nas Estrelas” e o seriado “A Cura”.
Lançado no primeiro semestre deste ano, o filme “Chico Xavier”, de Daniel Filho, descreve a trajetória do maior médium brasileiro, que viveu 92 anos e desenvolveu importante atividade espírita e filantrópica. O longa é um dos maiores sucessos do cinema nacional, nas telonas foi visto por mais de três milhões de espectadores, arrecadou quase 30 milhões em bilheteria e é um dos DVDs mais vendidos do ano até o momento. “O filme é uma história de emoção, Chico era um santo, mas também um homem” diz Daniel Filho.
Baseado no mais bem sucedido livro psicografado pelo médium Chico Xavier que já vendeu cerca de dois milhões de exemplares, “Nosso Lar”, que estreou nos cinemas em três de setembro, mostra a cidade espiritual para onde vão aqueles que começam uma nova jornada de autoconhecimento, de acordo com a doutrina da reencarnação. A produção do filme custou R$ 20 milhões, muito dinheiro para o cinema nacional. Os efeitos visuais foram criados no Canadá, onde "Nosso Lar" também foi finalizado. "A gente usou todos os tipos de técnicas de efeitos visuais que existem e criou mais de 300 cenas com algum nível de inserção visual", afirma o diretor Wagner Assis. Por tudo isso se espera que o filme alcance grande sucesso e supere em muito o investimento feito. “As questões abordadas na história são filosóficas, morais, espirituais e fazem parte de qualquer filosofia de vida”, conclui o diretor do filme.
“Escrito nas Estrelas”, novela de Elizabeth Jhin, com direção de Ricardo Gomes, exibida no horário das seis pela TV Globo, une espiritualidade e ciência, a trama questiona os limites entre os planos físico e espiritual e debate os avanços da ciência genética. Questões que servem como pano de fundo de uma grande história de amor e que tem conquistado audiência média de 30 pontos, números expressivos para a atual fase da dramaturgia “global”. Segundo a autora a missão da novela é enfocar a espiritualidade no seu sentido amplo, aquela que existe dentro do homem desde que ele se pôs de pé e conseguiu olhar para o alto. “Escrito nas Estrelas mostra uma espiritualidade ligada à alegria e ao amor entre as pessoas” conta.
O seriado “A Cura” traz não só a questão sobrenatural através de curas milagrosas, mas o suspense de um thriller psicológico sem o apelo do realismo fantástico. Escrito por João Emanuel Carneiro e estrelado por Selton Mello e grande elenco, a série de nove capítulos que foi ao ar nas noites de terça-feira, atraiu o público com audiência média de 20 pontos, foi aclamada pela crítica e já é considerada a melhor exibida pela TV Globo em 2010.
Mas antes dessa leva impressionante de títulos voltados para a espiritualidade o Brasil teve outras produções que também fizeram grande sucesso, em 1994 a TV Globo lançou a telenovela “A Viagem” um marco da dramaturgia nacional. Escrita por Ivani Ribeiro e dirigida por Wolf Maya, a novela contou a história da vida além da morte e o amor eterno, profundamente baseados no kardecismo.
Em 2008 foi o filme “Bezerra de Menezes” que conta a vida do espiritualista cearense que dá nome ao longa, um dos mais renomados e conhecidos do país, que alcançou grande êxito, teve um público de mais de 500 mil pessoas e até o momento já vendeu mais de 40 mil DVDs. Luiz Eduardo Girão, um dos produtores da fita afirma que "O público está cansado de filmes de favela, cheios de violência, vão vir muitos outros filmes espiritualistas por aí, é a nova tendência do cinema brasileiro", prevê.
Para a Federação Espírita Brasileira (FEB), que bancou parte da produção de Nosso Lar, “o cinema e a televisão são vitrines preciosas para a divulgação da nossa filosofia, são canais de divulgação e transmissão de cultura” diz Geraldo Campetti, diretor da FEB.
O presidente da FEB, Nestor Masotti, diz por que histórias do mundo sem barreiras entre mortos e vivos atraem tanto público. "Todos nós, de uma forma ou de outra, sempre ficamos esperando ou pelo menos imaginando o que pode ocorrer depois da nossa morte física”.
O mercado televisivo e cinematográfico já descobriu que o assunto interessa e rende altas bilheterias e audiências, portanto novas produções virão no futuro, vale lembrar que o público brasileiro é um grande consumidor de livros também voltados para o espiritismo, então se no mundo o que está em voga é a adaptação de obras literárias para as telonas e telinhas aqui não seria diferente.
Matéria produzida para crédito à disciplina Jornalismo Cultural - 6ª período FAPCOM